Pular para o conteúdo principal

Estudar não é ter aulas

O "copiar e colar" sempre foi uma das grandes preocupações dos professores. Os computadores facilitaram essa tarefa para os alunos. Se antes gastávamos horas copiando," à mão", páginas de livros e enciclopédias, agora está tudo muito mais fácil: Control-C Control-V em páginas da Internet e temos o trabalho prontinho para ser enviado por email, ou impresso, e entregue ao professor. Há muitos educadores que procuram fórmulas mágicas para se "coibir" o copia e cola. Tenho a convicção de que isso acontece porque o aluno entende que dar conta do que sabe é reproduzir aquilo que o professor, ou algum especialista, disse ou escreveu. Nunca acreditei muito nas tais fórmulas mágicas que às vezes aparecem por ai. Entendia que isso acontece porque muitas das atividades que propomos não favorecem a autoria, são um convite ao copiar/colar, não envolvem e nem motivam os alunos. O artigo "Estudar não é ter aulas" de Pedro Demo, professor da UnB, me deu outras pistas: a escola não ensina a estudar. Estudar aqui entendido como um ato que envolve a "leitura sistemática, a pesquisa, desconstrução e reconstrução do conhecimento". Será que nós, educadores, sabemos estudar? Será que estudamos? Como um educador que não lê e não pesquisa pode ensinar os alunos a estudar e a se tornarem autores de seus trabalhos?
Imagino que muitos professores poderiam dizer ao ler o artigo: "mais um colocando a culpa das mazelas da educação brasileira nos ombros do professor". Pedro Demo, em outro artigo, coloca assim o seu posicionamento:
"(...) tenho ultimamente questionado as aulas reprodutivas nas escolas (também na universidade), porque entendo que fazem parte do instrucionismo avassalador que prejudica muito o desempenho dos alunos.(...) Não estou aludindo que as aulas sejam o único problema, porque é tolo reduzir a complexidade da aprendizagem escolar a um único fator. Também não estou dizendo que o professor seja culpado, porque admito, sinceramente, que é tão vítima do sistema, quanto o aluno.".

Comentários

Sónia Cruz disse…
Oi!
Parabéns pelo seu blog! Ajuda-me muito :))

Concordo inteiramnte com você.
Somos nós, educadores, que sabendo da tendência do Ctrl+c - Ctrl+v, temos a obrigação de criar atividades que favorecem a autoria e estimulem a autenticidade dos trabalhos dos alunos.

bjs

Postagens mais visitadas deste blog

A tecnologia deve ser utilizada com imaginação...

Participei, na manhã de hoje, da palestra do professor Jarbas Novelino Barato . O tema da palestra, promovida pelo Laboratório de Educação e Informática Aplicada da Unicamp , foi Construção de Ambientes WEB . O professor propôs duas dinâmicas para os participantes . Na primeira delas, havia um desafio policial a ser resolvido pelo grupo composto por quatro pessoas: um delegado e três investigadores. Para se resolver o desafio foi necessário que as pessoas do grupo compartilhassem as informações que haviam recebido individualmente. O objetivo dessa dinâmica foi o de explorar o princípio da aprendizagem cooperativa e através dela ficou evidenciado que: 1. Cooperação não se dá entre vontades, 2. Cooperação é de saberes , 3. Através da cooperação, diferentes conhecimentos são combinados e transformados. 4. É importante a existência de um ambiente que demande repartição de saberes, 5. É necessário se mudar a cultura da força bruta, isto é, apenas reunir material existente para a cultura d...

Kidlink e um convite

O Kidlink é uma organização fundada na Noruega pelo educador Odd de Presno. O portal, presente em 164 países, não tem fins lucrativos e é um espaço para interação, intercâmbio cultural e debates educacionais. As atividades desenvolvidas promovem o enriquecimento do aprendizado escolar e levam os alunos a um maior entendimento de outras culturas e línguas. A interação entre alunos, professores, pais e voluntários é feita através de chats, listas de discussão e pelo site do Kidlink e/ou nos sites oficiais de cada país: no nosso caso, Kidlink Brasil . No Brasil o Kidlink foi implantado pela educadora Marisa Lucena a partir de sua tese de doutorado. Para a educadora: "O Kidlink pode ser considerado o 'jardim da infância' da internet. A grande maioria dos educadores que hoje participam ativamente da área de Tecnologia Educacional tiveram seus primeiros conhecimentos desenvolvidos nas listas do portal". Ela tem razão, pelo menos na minha história isso aconteceu! O livro ...

Atlas das Mudanças Ambientais

Encontrei o Atlas das Mudanças Ambientais ( One Planet, Many People: Atlas of Our Changing Environment ) a partir do blog Geomática Educativa . Para o autor do blog, Jordi Vivancos: Atlas of Our Changing Environment es una obra de referencia para la educación medioambiental, desarrollada por el Programa de las Naciones Unidas para el Medio Ambiente ( UNEP ). Este excelente recurso educativo, está disponible en varios soportes y ofrece también versiones interactivas para Google Maps y Google Earth. El Atlas describe, en términos de geografía física y humana, el impacto de la acción humana sobre el medio ambiente, mediante ilustraciones,imágenes satélite y fotografías. Se describen de forma más detallada, las principales tendencias observadas a lo largo de los últimos 30 años, en un centenar de zonas de nuestro planeta, de las que se dispone de imágenes de teledetección....